sábado, 1 de agosto de 2009

O DILÚVIO: GLOBAL OU LOCAL?(1)



















Alguns interprétes da Bíblia veêm o Dilúvio de Nóe ( Gn 6-9),como um evento de extinção em massa de proporções globais. Esta interpretação não necessariamente se levanta do texto bíblico mas muito mais segundo uma moderna perspectiva global do mundo. A passagem descreve um intenso aguaceiro por 40 dias,seguido de um crescimento do nível das águas. A inundação resultante aniquilou a população inteira daquele tempo e todas as aves e mamíferos relacionados a ela- exceto as pessoas( Noé e seus parentes) e animais a bordo da arca.
Tanto o relato de Gênesis como várias outras referências bíblicas dão pistas significativas da extensão geográfica do dilúvio. Em sua elaboração lírica dos dias da criação o Salmo 104:6-9,oferece uma importante diretriz interpretativa: “ Tomaste o abismo por vestuário e a cobriste( a Terra,versículo 5),as águas ficaram acima das montanhas;á tua repreensão,fugiram á voz do teu trovão,bateram em retirada. Elevaram se os montes,desceram os vales,até o lugar que lhes havia preparado. Puseste ás águas divisas que não ultrapassarão,para que não tornem a cobrir a Terra.” O salmista diz que a água nunca mais cobrirá o globo- uma vez que os continentes se formaram e o oceano recuou( segundo dia da criação). De maneira semelhante Jó e Salomão comentam que no preparo da Terra para a humanidade,Deus estabeleceu “uma fronteira”,” limites fixos” ou “ portas e trancas” para que os oceanos “ não traspassem seus limites” ( Jó 38: 8-11;Pv 8:24-29).
Em referência ao dilúvio Pedro descreveu como “ o mundo daquele tempo foi afogado e destruído”.( 2Pe 3:6). A frase grega usada é “ tote kosmos” a qual literalmente significa: “ o mundo no tempo em que as coisas consideradas estavam acontecendo”( Thayer’s Greek-English Lexicon of the New Testament,1977,629).

Em um contexto antigo,o “mundo” era considerado mais em termos de pessoas do que do planeta. As palavras de Pedro deixam claro que o mundo de Noé não era o mesmo que o mundo de um tempo posterior.
A limitação regional do dilúvio pode ser do próprio texto de Gênesis . o comentário de Noé em 7:19 de que “ ...e cobriram todos os altos montes que havia debaixo do céu” provavelmente implica que de um horizonte a outro Noé só podia ver água. Mais tarde com o recuo dás águas em curso, Gn 8:5,reporta que de seu ponto privilegiado em cima da arca Noé podia ver o topo distante das colinas e montanhas. A pomba que ele liberou podia achar somente” água cobrindo a superfície da terra”(8;9),talvez a pomba voou muito baixo sobre a água para ver a terra longínqua que Noé podia facilmente distinguir de seu elevado ponto de visão.

O mais compungente argumento bíblico para uma catátrofe regional ao invés de global,vem da reflexão sobre o propósito de Deus em enviar o dilúvio. Uma epidemia de mal ameaçava a humanidade. Como uma doença,talvez o contato humano bem próximo elevou o contágio pelo pecado. A ênfase frequente de Deus sobre a necessidade de multiplicação sugere que antes do dilúvio,a humanidade se amontoou em uma área geográfica- uma violação direta da ordem anterior de Deus para multiplicar e encher a Terra(Gn 1:28;9:1,7). O seu julgamento contra a maldade do homem- como a remoção cirúrgica de um câncer mortal-não necessitava se extender além da fronteira geográfica deles.
Mesmo após o dilúvio,as pessoas resistiram á ordem de Deus para se moverem. Gênesis 11 explica como Deus forçosamente interveio para dispersar a humanidade por todas as porções habitáveis da Terra(8-9). A Bíblia indica que a humanidade inicialmente ocupou uma pequena região do planeta. Um aguaceiro por 40 dias naquela área seria suficiente para resgatar a humanidade de uma completa auto-destruição devido á escalada do mal.Esta visão é consistente com os nomes geográficos de lugares registrados nos primeiros nove capítulos de Gênesis. Todos eles se referem a localidades dentro ou muito perto da Mesopotâmia. (Voltarei a este assunto)


Baseado em artigo de Hugh Ross em “ Creation as Science”,Ap E

O PRINCÌPIO ANTRÒPICO





O princípio antrópico significa que, ao olharmos para o universo que nos cerca, parece que o mesmo foi planejado, preparado e arquitetado para sustentar e nutrir a vida humana.A evidência aponta de maneira tão esmagadora para este evidente planejamento do universo, que é virtualmente inegável pelos peritos sejam cientistas e intelectuais que crêm no Deus bíblico,ou deístas bem como entre os ateus,os quais ainda que não concordem com a proposta da existência de um Criador ,reconhecem um equilíbrio no universo,o qual evidentemente atribuem ao acaso. E isso tem levado os céticos a correr em busca de algum tipo de explicação natural para este fenômeno aparentemente sobrenatural. Ou seja, a ciência procura provas na natureza para tentar se esquivar de um fenômeno inexplicável, com fortes indícios de uma criação inteligente. Portanto o princípio antrópico no universo se refere á fina sintonia que este demonstra em todas as leis que o regem e as demais características que observamos e revelam claramente uma ordem dominante em todo o cosmos. A Terra por exemplo com seu movimento de rotação a cada 24 horas não apenas divide o dia da noite,mas mantém o planeta adequadamente aquecido. O planeta Vênus por exemplo que tem mais ou menos o mesmo tamanho da Terra faz seu movimento de rotação uma única vez a cada 243 dias. Se este fosse o caso da Terra metade desta seria queimada e a outra congelada. A inclinação adequada do eixo de rotação de nosso Planeta fornece as estações; assim o hemisfério norte inclina-se em direção ao Sol no verão e se afasta no inverno. Sem esta inclinação as temperaturas em quaisquer regiões seriam as mesmas seja em julho como em janeiro. A Terra seria muito menos habitável e a agricultura pouco produtiva. A atmosfera filtra os raios ultravioleta que seriam fatais á vida,além de queimar os meteoros que se aproximam de nós todos os dias,com uma atmosfera mais fina todos eles colidiriam com o planeta com resultados catastróficos.Os oceanos absorvem o calor do Sol durante o dia e o liberam a noite,estabilizando as temperaturas.Qualquer um que conheça o efeito estufa sabe que a atmosfera terrestre é um grande regulador de temperatura.
Em seu livro “Nature’s Destiny”(o destino da natureza) Michael Denton, relaciona muitas outras condições necessárias para a vida humana,a partir da biologia,geologia e química.Muitos parâmetros individuais exibem um extraordinário alto grau de fina sintonia. A taxa de expansão do universo,por exemplo,em uma parte em 10 elevado á 60ª potência.Uma ligeira elevação nesta taxa de expansão resultaria em um universo demasiado difuso de matéria para permitir a formação estelar.Por outro lado também uma ligeira diminuição desta taxa,pelo mesmo fator,produziria imediatamente um colapso gravitacional. A própria força da gravidade requer uma fina sintonia de uma parte em 10 elevado á 40ª potência. O físico de Oxford Roger Penrose,percebeu que um único parâmetro o assim chamado “ volume espaço-fase original”,requer uma sintonia tão precisa que “ o objetivo do Criador deve ter sido de uma precisão como 10 elevado á a 10ª potência elevado á 123ª ( 10 bilhões multiplicado por si mesmo 123 vezes). A quantidade de zeros para se escrever tal número seria maior que o número de partículas elementares em todo o universo.Desta forma cientistas que optaram pela exist~encia de um Deus criador basearam-se na evidência da fina sintonia antrópica para inferirem uma causa inteligente para a origem do universo e da vida. São cientistas que analisaram aspectos científicos e foram por estes convencidos da impossibilidade do modelo ateísta,e não por razões místicas ou religiosas.A insistência dos ateus em rejeitar a opinião destes especialistas alegando que são religiosas,apenas revela um desejo reprovável de ser o único porta voz da ciência.


È impressionante como vemos este princípio fazendo com que tudo favoreça a vida na Terra ,diferentemente do que ocorre nos demais planetas do sistema solar e de outros mais distantes já descobertos. O oxigênio por exemplo compõe cerca de 21 % de nosso ar. Se faltasse o suficiente nós não conseguiríamos respirar,e não haveria a camada protetora de ozônio. Ao contrário se o oxigênio fosse mais abundante na atmosfera,tal excesso queimaria muitos dos outros elementos afetando grandemente a vida;incêndios seriam uma constante e os metais rapidamente enferrujariam. Mais extraordinário ainda é o fato de a presença de dióxido de carbono na atmosfera ser de apenas 0.03 %,mas esta pequena quantidade é vital para o crescimento das plantas e estabilidade climática. Esta concentração alterada para cima ou para baixo seria um verdadeiro desastre. Como uma proporção tão pequena e tão adequada foi estabelecida? Seria resultado do acaso que em geral promove desordem ou de um projeto de um agente inteligente? Vejamos outros dados que tornam a segunda opção muito mais lógica.

Por que os oceanos não cobrem toda a superfície da Terra se a proporção de água é muito maior que a porção seca do planeta? Simplesmente devido á nossa topografia acidentada que permite o exato balanço entre os oceanos e os continentes.Sem a elevação continental e a baixa base dos oceanos,quer dizer se toda a Terra tivesse uma elevação uniforme,a água cobriria a Terra em um nível acima de 1,5 km. E o que dizer da gravidade.Sem ela não haveria marés e as chuvas não cairiam. Os gases atmosféricos se perderiam,nós e tudo o mais seríamos lançados para fora do planeta e este não iria rotacionar ao redor do Sol. De onde veio a gravidade? O que dizer da velocidade de translação da Terra,a qual se fosse mais rápida nos lançaria para longe do Sol e mais lenta nos atrairia para um choque com nossa estrela. Outros aspectos envolvendo a origem do sistema solar e da Terra colocam o pensamento ateu em sérias dificuldades. Como explicar por exemplo que a Terra gira sobre o eixo na mesma direção de sua órbita enquanto Vênus gira ao contrário? E o fato de que 98 % do Sol é formado por hidrogênio e hélio os dois elementos mais leves,mas a Terra é abundante em elementos pesados Sobre este fato assim se pronunciou o astrônomo Fred Hoyle: “ Vemos que material lançado do Sol não seria de forma alguma adequado pra a formação dos planetas conforme os conhecemos.Sua composição estaria desesperadamente errada.”Elenquei aqui apenas alguns ítens desta fina sintonia entre o universo e a possibilidade de vida na Terra,em seu livro o "Criador e o Cosmos", Hugh Ross relaciona 66 parâmetros cuja mínima alteração impossibilitaria a vida em nosso planeta.

São várias as condições que permitem a vida na Terra,e diante destas não se pode ignorar a forte presença de um projeto inteligente.A importante revista americana “ Newsweek” em um artigo intitulado “ Sciende finds God”( a ciência encontra Deus), na edição de 20 de julho de 1998 assim expressou a alta sintonia encontrada no universo : “ Os físicos se assombram com os sinais que apontam ter sido o cosmos construído para a vida e consciência.Observa-se que se as constantes da natureza,números imutáveis como a força da gravidade,a carga do elétron e a massa do próton,fossem um mínimo diferentes,então os átomos não permaneceriam ajuntados,as estrelas não queimariam e assim a vida nunca teria aparecido.”

quarta-feira, 29 de julho de 2009

ATÈ QUE PONTO PODE UM CIENTISTA ATEU,QUESTIONAR A EXISTÊNCIA DE DEUS,TENDO COMO BASE A VISÃO MATERIALISTA?(opinião)



Em seu mais recente livro "Deus,um delírio" o biólogo e apóstolo do materialismo Richard Dawkins faz uma crítica ás religiões em geral e por conseqüência á crença em um Deus criador,uma vez que o mesmo em nenhum momento demonstra qualquer sinal de ter consciência de que são coisas diferentes.Com um humor característico Dawkins ao mesmo tempo que espera que qualquer leitor religioso ao finalizar o livro,passe a integrar as fileiras do ateísmo,declara ser tal desejo otimismo e presunção,uma vez que segundo ele “fiéis radicais são imunes a qualquer argumentação”. Seu raciocínio é simples: Uma vez que após ler seus argumentos contra a religião,caso um leitor não mude de opinião,a razão é que o mesmo é um radical fundamentalista,não restando nenhuma outra possibilidade,como por exemplo que haja um leitor fora do modelo religioso, que simplesmente escolha optar em acreditar em Deus. Isso ele deixa claro quando diz: “ Mas acredito que há muita gente de mente aberta por aí...Espíritos livres como esses devem precisar só de um pequeno incentivo para se libertar do vício da religião. No mínimo,espero que ninguém que tenha lido este livro ainda possa dizer: “ Eu não sabia que podia” (Dawkins,Richard,Deus um delírio,Cia das Letras,2006,p.29,30). Acho oportuno incluir aqui esta opinião pelo fato de julgar necessário uma resposta ao delírio de Dawkins e seus colegas ateus,já que o biólogo ao escrever um livro cujo tema central é a religião,está tratando de um assunto que evidentemente foge do aspecto científico. A bem da verdade,se ele pode,por que não eu?

Proveitosamente em Deus, um delírio, o autor adequadamente repreende todas as heranças antigas e atuais que foram legadas pelo fundamentalismo religioso(analisaremos este ponto em postagem posterior),quais sejam: Guerras,preconceitos,perseguições,assassinatos,corrupções,e quaisquer outras atitudes nefastas que o leitor se lembrar,foram uma constante e ainda se apresentam de forma contumaz no mundo em que vivemos. Justiça seja feita,quando tais situações são tratadas por Dawkins como um legado nocivo que a religião deixou para a humanidade,minha atitude é de total concordância com a visão por ele apresentada. No entanto,conforme mencionei a pouco é importante deixar claro que o professor Richard interpreta o sistema religioso criado pelo homem como um sinônimo da atitude de um indivíduo que crê na existência de Deus,cometendo com isso um erro enorme de interpretação. É verdade que de certa forma não podemos culpá-lo pela limitação que o cerca ao tentar analisar um tema sobre o qual faltam-lhe vários subsídios de conhecimento. Portando uma patente de General entre os ateus atuais,munido portanto unicamente da visão materialista para questionar a crença no sobrenatural,confunde inevitavelmente, com sua ignorância do que seja a fé, Deus com a religião.

Analisar o fundamentalismo religioso e suas mazelas é uma tarefa relativamente fácil,haja visto a quantidade de material histórico á nossa disposição, e talvez fosse muito melhor realizada por um historiador do que por um biólogo. Mas quando a questão é uma análise da metafísica da fé, a simples avaliação dos resultados e influências históricas da interpretação da religião pelo homem e a atitude deste ao conceituar de forma errônea a informação recebida; limita completamente a obtenção da verdade. Em virtude disso, ao escrever sobre a crença em Deus,confundindo-a com a religião,a incapacidade de Dawkins para tratar o tema,fica evidente. Para que o leitor entenda melhor o que quero dizer,seria mais ou menos o mesmo que um analfabeto tentar entender um tratado sobre física quântica escrito em latim. Primeiro,ele precisaria aprender a ler,em seguida a fazê-lo em latim,e finalmente conhecer a física quântica. O fato de Richard Dawkins ser um ateu “praticante”,conhecer a religião como um fenômeno histórico e ser um biólogo competente, não o coloca a frente de tantos filósofos que com muito mais autoridade têm debatido a metafísica do sobrenatural e chegado a conclusões muito diversas das suas. Richard Dawkins é um biólogo ateu,a sua opinião sobre o entendimento e o conhecimento da existência de Deus,é a de um leigo.

A seguir mostrarei ao leitor a inconsistência da interpretação do autor de Deus,um delírio,ao confundir a crença em Deus com a religião. Para tal irei analisar apenas a questão da “religião” judaico-cristã,uma das mais abordadas no livro de Dawkins,as quais juntamente com o islamismo defendem a existência de um único Criador. Uma das críticas mais incisivas que Richard Dawkins faz em seu livro para questionar o Deus do Velho Testamento,é o fato de que este Deus escolheu um povo e por conta disso o protegeu em detrimento de outras nações,sendo que por vezes guerras e matanças foram perpetradas com o Seu aval. O autor faz um verdadeiro estardalhaço em cima da história relativa ao estabelecimento do reino de Israel nos tempos bíblicos. Aqui se vê a primeira demonstração de ignorância sobre o significado das escrituras e sua revelação quanto á ação de Deus nas diferentes eras. Conforme já dito,Dawkins baseou sua recente obra na informação adquirida sobre a história da interpretação da religião pelo homem,mas revelou-se um completo leigo na realidade da hermenêutica do Velho Testamento. A fim de entendermos claramente esta questão, devemos estudá-la de acordo com a sua verdade dispensacional. Segundo a teologia bíblica Deus tem uma maneira especial de tratar as pessoas numa determinada época ou dispensação. Se lermos a Bíblia sem considerar a dispensação, descobriremos muitas contradições difíceis de serem explicadas. Há que se reconhecer que existe uma progressão da verdade nos escritos da Bíblia. O que foi considerado perfeito no inicio do Antigo Testamento vem a ser imperfeito sob a verdade manifestada no tempo do Novo Testamento. A razão disso não são os diferentes conceitos do homem a respeito de Deus, mas sim os vários graus da revelação de Deus aos homens. Visto que Deus trata com o homem de acordo com a dispensação, Ele Se revela a ele paulatinamente, de acordo com Sua exigência para com ele naquela dispensação em particular. Muitos reconhecem apenas duas divisões na Bíblia: o Antigo e o Novo Testamento. Leitores cuidadosos entretanto, encontram na Bíblia uma síntese de sete dispensações. Tal divisão não é arbitrária; pelo contrário, é muito natural para os que lêem a Escritura com cuidado e estudo. Se ignorarmos estas distinções, vamos esperar que as pessoas de uma dispensação guardem a lei da dispensação de outra.

Não precisamos nos limitar á Bíblia para entendermos que eras diferentes se regem por dispensações diferentes, na própria cultura romana,em especial suas leis,das quais descendem a maioria dos códigos de leis ocidentais,podemos ver instrumentos que eram o normal na época e hoje seriam impensáveis,como por exemplo o direito de um pai romano sobre a vida dos filhos,podendo vendê-los ou até mesmo tirar-lhes a vida: “ Era o pai que poderia dispor de toda a propriedade pertencente á família,e o próprio filho podia ser considerado uma propriedade sua,porque os seus braços e o seu trabalho eram fonte de receita. O pai podia pois á sua escolha guardar para si este instrumento de trabalho ou cedê-lo a outro. Cedê-lo era o que se chamava de vender o filho....Pode se julgar por ai como no direito antigo a autoridade paterna era absoluta....este direito de justiça,exercido na casa pelo chefe de família era completo e sem apelação. Podia condenar á morte,como o magistrado fazia na cidade;nenhuma autoridade tinha o direito de modificar suas sentenças... Valério Máximo cita certo Atílio,que mata sua filha culpada por impudicícia,e todo mundo conhece aquele pai que matou o filho por cumplicidade com Catilina.”(Fustel de Coulanges,A Cidade Antiga,Martin Claret,2002,p.99,100,101)

Deveríamos rejeitar todas as nossas leis ocidentais que se originaram no direito romano,por ter sido este em uma determinada era(dispensação) totalmente abominável para a época em que vivemos? Evidente que não. Vivemos em uma dispensação diferente da vivida á época da Roma antiga,muitas das antigas leis romanas são um absurdo na atualidade,no entanto a cultura de nossas leis tem como origem o direito romano, e o fato de nossos antepassados terem praticado atos que seriam reprováveis hoje não muda a realidade de que tais atos eram aceitos naquela dispensação. Não precisamos ir tão longe no tempo,na idade média por exemplo, a família cumpria a função reprodutiva, a transmissão dos bens e dos nomes, mas isso não significava envolvimento afetivo e não existia idéia de sua responsabilidade na educação. Em tempos mais recentes ainda,mesmo nas culturas libertárias do ocidente,o comum era o pai decidir a vida do filho, seja a profissão ou o casamento. Atitudes estas que foram em geral suprimidas e totalmente modificadas pelo surgimento nesta era de uma dispensação diferente da anterior,o que não elimina a necessidade da humanidade de que aquela época fosse vivida.

Como analisar então o cristianismo que é a “religião” predominante no ocidente e por conseqüência a mais combatida por Dawkins e seus seguidores ateus? O cristianismo é o “Novo Contrato” feito por Deus com aqueles que Nele crêem,substituindo o Velho Testamento pelo Novo Testamento(NT),sendo portanto este último a instrução a ser seguida por estes na dispensação atual. Duvido que Richard Dawkins saiba que a palavra “religião” como observância de preceitos religiosos de uma doutrina,ou de um sistema ou ordem religiosa não aparece uma única vez no NT. Na verdade o termo “religião” não existe no NT. O que se vê nos escritos da assim chamada “Nova Aliança”,é uma mudança completa da dispensação do VT com vistas á realização do propósito de Deus em Seu relacionamento com os crentes do NT. Sejam nos ensinamentos de Jesus ou nos escritos de Paulo,João,etc, não se observam normas ou rituais a serem seguidos,ao contrário o que se observa são orientações de como viver o cristianismo segundo o padrão do NT. Na assim chamada “era da igreja” que se inicia nos Atos dos Apóstolos segue até o Apocalipse de João e perdura nos dias atuais o que se vê sempre que os cristãos se reuniam segundo o princípio do NT é uma busca pelo estudo e compreensão das Escrituras,seja pelo ensinamento dos mestres ou pelo aprendizado mútuo. Pelo fato de estarmos ainda na dispensação da era da igreja tal deveria ser também a atitude dos cristãos atuais. Se o que vemos hoje em diversas “igrejas’ é uma deturpação do objetivo original e do legado do NT , seja na propagação de doutrinas reprováveis como: evangelho da prosperidade,extrapolação e exploração de pretensos dons de cura,culto e verdadeira adoração a líderes oportunistas que se locupletam á custa da ingenuiedade alheia,etc, a responsabilidade de tal erro deve ser imputada á falha do homem em interpretar adequadamente a visão contida na Bíblia e não uma deficiência desta.

Não é meu objetivo nem minha função aqui tratar de aspectos teológicos para defender e explicar o cristianismo; para isso temos teólogos que poderão fazê-lo com muito mais propriedade,por isso me limitarei a apenas esta refutação das colocações de Dawkins em seu livro em que critica a fé em Deus confundindo-a com a religião sendo que todas as demais ali apresentadas qualquer leitor atento e desprovido de preconceitos materialistas poderá perceber que estão eivadas de inconsistências em razão da confusão que o autor faz dos conceitos de fé e religião. Desejo sim através destes poucos comentários chamar a atenção do leitor que o escritor de Deus,um delírio, assumindo sua condição maior de ateu do que de cientista;demonstra sua completa ignorância da mente de Deus ao abordar o aspecto histórico e moral da religião humana como se tal fosse a síntese da crença na existência de Deus. O ateísmo como qualquer corrente de pensamento deve ser uma livre escolha e ninguém deve ser julgado bom ou mau por adotá-lo como filosofia de vida. Da mesma forma ateístas como Richard Dawkins , não deveriam ser limitados por seu pensamento materialista impedindo-os de enxergar o fato de que muitas pessoas com o mesmo nível e até maior de intelectualidade que o seu,longe de serem fundamentalistas radicais, rejeitam o materialismo pelo simples fato de o acharem inconsistente e não por serem “religiosos”. Impossibilitados pela arrogância “científica” de reconhecer a sua limitação ao tratar de assuntos sobre os quais são ignorantes,querem fazer crer que são os donos da verdade. Richard Dawkins é um pensador ateu,portanto seus escritos sobre a metafísica que envolve a existência de Deus são apenas conjecturas de um leigo que pouco pode acrescentar. Pobres cientistas ateus com sua visão limitada da ciência! Bem dizia a médica italiana Maria Montessori: “ Especialmente na ciência precisamos de imaginação,nem tudo nela é matemática ou lógica,mas há algo de beleza e poesia.”

ADÃO TRABALHAVA NO ÉDEN?
























Uma crítica com relação á coerência do texto bíblico a qual me deixou estupefato ,fazendo com que eu me esforçasse para realmente saber se eu tinha entendido é a seguinte: “ Ora Deus colocou o homem no jardim do Eden,e o incumbiu de cultivá-lo e guardá-lo,como então depois da queda Deus o castiga com algo que era sua atividade normal?”. Espero que o leitor atente bem para este questionamento,para que sempre que apresentarmos o ateu-praticante,como alguém,”que não crê porque não crê e pronto”,percebam que não é nenhuma perseguição ou exagero.


Vamos analisar o texto com o mínimo de atenção necessária para que vejamos o disparate de tal questionamento. Gn 2: 8-9b,15: “ E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden,na direção do oriente,e pôs nele o homem que havia formado. Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis a vista e boas para alimento...Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden,para o cultivar e o guardar". Agora vejamos o texto referente ao castigo imposto após a desobediência: Gn 3:17b,18,19a,23 : “... maldita é a terra por tua causa;em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida.Ela produzirá também cardos e abrolhos,e tu comerás a erva do campo.No suor do rosto comerás o teu pão...O Senhor Deus,por isso, o lançou fora do jardim do Éden,a fim de lavrar a terra de que fora tomado.”


Ora,basta o mínimo de capacidade interpretativa textual,para se perceber que o Éden,era um local separado do restante da terra,um lugar de prazer,delícias,completamente preparado por Deus para o deleite deste ao colocar ali o ápice de sua criação,o homem. Cultivar um jardim,totalmente preparado,cheio de árvores que dão fruto,é totalmente diferente de arar uma terra de sol a sol para tirar dela o sustento. É comum um grande empresário,que passa o dia dando ordens,de paletó e gravata,ter como hobby cuidar,e cultivar um jardim em seu sítio ou casa,ação esta que para o mesmo é um deleite. Pergunte a ele que como gosta de cultivar o seu jardim maravilhoso,tendo prazer em ver a beleza de cada ítem ali,se ele gostaria de ir capinar um alqueire de terra virgem que você tem e que precisa plantar milho e feijão ali.


Está mais do que claro no texto que o Èden era um local de prazer separado por Deus para a habitação do homem,após a queda o castigo que lhe foi imposto o lançou fora desta esfera de prazer e deleite,para uma terra inóspita onde não havia nenhum jardim com tudo á sua disposição,e portanto teria de trabalhar de sol a sol para se sustentar. Explique isso a um criança no primário,faça o desenho dos dois ambientes,e pergunte a ela,onde ela preferiria cultivar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

EVA FOI MESMO FORMADA DA COSTELA DE ADÃO?














Um popular erro de tradução de Gênesis 2:20-21 tem levado por séculos um mito ainda muito difundido,o de que Deus fez Eva de uma das costelas de Adão,e como consequência as corriqueiras críticas dos ateus. Uma cuidadosa tradução do hebraico,revela um cenário diferente. A palavra traduzida por "costela" é "tselá" e a mesma é empregada no texto bíblico em referência " o lado do homem". O mesmo termo é o usado em Êxodo 25:12,14,referindo-se aos lados da arca da aliança. Usa-se o vocábulo também para descrever "um local dentro de um rescinto"(Ex.26:35). Além disso significa uma câmara. Havia três andares dessas câmaras ao redor do templo propriamente dito( 1Rs 6:5;Ez 41:6). A palavra "costela" no hebraico bíblico é " 'alâ",que é um cognato de "tselá",ou seja tem a mesma raiz. O entendimento correto aqui é que Deus tirou "uma parte do lado de Adão".

Primeiramente Deus fez cair um pesado sono sobre Adão,tal qual o sono induzido por uma anestesia. Enquanto Adão dormia,Deus removeu uma porção( como uma biópsia),do lado de Adão,e usou este tecido na construção de Eva. O texto não diz que Deus fez Eva apenas e totalmente do tecido que retirou de Adão. A indicação aqui é que a porção retirada de Adão teve um papel significante e substancial na criação de Eva por Deus. Com o entendimento que temos atualmente da genética entendemos o grande atalho que esta biópsia de Adão representaria. Esta biópsia incluiria um completo esboço de todas as células de Adão,seu mecanismo bioquímico e morfologia. Com alguns milhões de modificações aqui e ali se alcançaria as diferenças, desejadas para a mulher e o diagrama de Eva estaria completo.

O novo Testamento lança mais luz sobre porque Deus pode ter escolhido construir Eva de uma amostra do tecido de Adão: " No Senhor...nem a mulher é independente do homem,nem o homem, independente da mulher.Porque como provém a mulher do homem,assim também o homem é nascido da mulher.. (1Co 11;11-12) . Deus criou o homem e a mulher como seres interdependentes. Em Seu pré-conhecimento de como mais tarde se debateriam na questão da superioridade,Ele escolheu um meio para criar a raça humana,macho e fêmea,o que deixaria claro em todas as culturas e gerações ,sua igual porém distinta interdependência.




N.A: Baseado em Hugh Ross,The Genesis Question,p. 75,76.

domingo, 26 de julho de 2009

LEMBRETE



Considerando a dinâmica do blog,e a quantidade de temas que serão tratados da maneira mais completa possível,e o leitor sabe que o tempo despreendido para tanto não é pouco; reeitero que qualquer referência de fontes e respaldo de estudiosos e sábios e cientistas que abalizam as opiniões aqui elencadas,caso não constem no artigo e desejem ser conhecidas pelos leitores,poderão ser solicitadas no email do blog,que serão atendidas.

AS DUAS NARRATIVAS DA CRIAÇÃO EM GN 1 E 2 ESTÃO EM CONTRADIÇÃO?





Gênesis 1:1 diz:No princípio criou Deus os céus e a terra…”. Depois, em Gênesis 2:4, na falta de um entendimento gramatical correto ,sujeita-se o leitor ao erro de ver uma história diferente da criação. A idéia errada sobre a existência de duas narrativas sobre a Criação é bastante comum. No entanto, é fácil perceber ver que essas passagens descrevem o mesmo evento da Criação. Elas não discordam sobre em qual ordem as coisas foram criadas, portanto, não se contradizem. De acordo com a opinião errada, Gênesis 1 afirma que Deus criou a terra, então a vegetação, então os animais, então o homem; enquanto Gênesis 2 afirma que Deus criou a terra, então o homem, então as plantas, então os animais. Na verdade, enquanto Gênesis 1 descreve os “Seis Dias da Criação” (e um sétimo dia para descanso), Gênesis 2 descreve apenas um dia da semana da Criação,a saber, o sexto dia .Não existe nenhuma contradição,como se comprovará a seguir. Vamos começar nossa investigação dos primeiros cinco versículos da narrativa em Gênesis 2 . Como a passagem de Gênesis 1 na verdade termina com o terceiro versículo do segundo capítulo, vamos começar a narrativa de Gênesis 2 no quarto versículo.
"Esta é a gênese dos céus e da terra quando foram criados, quando o SENHOR Deus os criou" (v.4). A palavra hebraica aqui traduzida “gênese” é "toledot". Ela aparece mais doze vezes no livro de Gênesis (5:1, 6:9, 10:1, 32, 11:10, 11:27, 25:12, 13, 19, 36:1, 9 and 37:2) e mais doze vezes no resto do Velho Testamento, sempre em referência à linhagem humana (sem exceção). A palavra “quando” aqui se refere a um período de tempo não especificado. Convém explicar, que os tempos verbais conhecidos no português e em várias outras línguas,não existem no hebraico bíblico,na verdade o hebraico na Bíblia utiliza apenas três formas verbais ,ação completada,ação não completada ainda e imperativo. O verbo em Gn 2:19,por exemplo,aparece na primeira forma e simplesmente que a criação dos animais do campo e aves,ocorreram em algum tempo do passado. O texto não diz nada a respeito de quando tais creaturas foram criadas em relação ao primeiro homem.Da perspectiva gramatical hebraica aqui,eles poderiam ter sido feitos tanto antes como após o homem. A sequência de eventos físicos não é o foco de Gênesis 2. Este foi o propósito e o foco de Gênesis 1,e o escritor claramente posicionou o assunto aqui a parte do que fora anteriormente mencionado. O foco mudou para outras questões.

Uma leitura direta do quarto versículo seria algo assim: “o que segue é a descrição da linhagem humana dos céus e da terra na era quando Deus os criou”. Não especifica o primeiro dia, ou o segundo, ou o oitavo dia. Não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; porque o Senhor Deus não fizera chover sobre a terra, e também não havia homem para lavrar o solo (v. 5). A palavra hebraica traduzida aqui como “campo” é "sadeh". Refere-se a um terreno pequeno ou a um campo cultivado. A palavra “terra” é "erets". Refere-se a um terreno maior, ou ao planeta como um todo. Essa é uma distinção bem importante, distinção essa que vemos não só nessa passagem, mas também no resto do livro de Gênesis (23:13, por exemplo) e por todo o Velho Testamento (Levítico 25:2-3, por exemplo). Enquanto a vegetação de Gênesis 1:11-12 era a de um tipo geral, a vegetação de Gênesis 2:5; 8-9 era de um tipo específico. As “plantas de sadeh” e as “ervas de sadeh” se referem à agricultura, "sadeh" significando um campo cultivado.Note que ainda não existia agricultura porque Deus não fizera chover sobre a terra, e também não havia homem para lavrar o solo. Em destaque aqui estão duas das quatro coisas necessárias para a agricultura (o homem para lavrar o solo e chuva, as outras duas coisas sendo solo fértil e luz solar). O texto não apenas se refere especificamente às plantas agrícolas de um campo cultivado; também implica que duas das coisas necessárias à agricultura ainda estavam em falta. Além disso, é óbvio que isso não significa plantas em geral, pois isso seria o mesmo que dizer que não há selvas, florestas ou prados em nenhum lugar porque o homem ainda não tinha lavrado o solo, esse é um pensamento ridículo. Não, a vegetação descrita aqui é a de horticultura. É a administração da agricultura. Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo (v.6). Note que terra e água (em forma de neblina) já existiam a esse ponto. Só não tinha chovido ainda. Gênesis 2 não é uma narrativa da criação da terra e água; isso já tinha acontecido em Gênesis 1. "Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente "(v.7). Aqui, ao apresentar a linhagem humana dos céus e da terra na era quando foram criados, o autor retrocede na sequência cronológica ao sexto dia, quando Deus criou o homem, um lugar apropriado para começar. Podemos encontrar essa ferramenta literária – quer dizer, retroceder na sequência cronológica para entrar em detalhes – em outros lugares da Bíblia também. Considere 1 Reis 6-7. No capítulo seis lemos sobre a construção do tempo de Salomão. A construção é terminada com o último versículo do capítulo, versículo 38: “E, no ano undécimo, no mês de bul, que é o oitavo, se acabou esta casa com todas as suas dependências, tal como devia ser. Levou Salomão sete anos para edificá-la”. Então, no primeiro versículo do próximo capítulo, o autor segue a descrever a construção do templo de Salomão: “Edificou Salomão os seus palácios, levando treze anos para os concluir”. No versículo 12, o autor termina com o palácio. Então, no versículo 13 do capítulo 7, ele volta ao início da construção do templo, com isso voltando em sua sequência de tempo, a qual ele tinha completado no capítulo 6, antes mesmo de descrever a construção do palácio no capítulo 7. Dessa mesma forma, o autor de Gênesis apresenta a criação do homem no sexto dia no primeiro capítulo porque o homem é o ponto principal da história da Criação. Então, no segundo capítulo, o autor retorna ao sexto dia para entrar em mais detalhes sobre a narrativa que começa em 2:4.
Vê-se aqui mais uma vez que as críticas dos ateus -que não raras vezes as fazem indicando que em sua opinião os que aceitam a Bíblia como consistente não estão usando a inteligência- se revelam embasadas em preconceitos e desconhecimento completo da exegese baseada no conhecimento gramatical e do hebraico bíblico. Evidente que tal posição toma muitos menos tempo e se torna muito mais fácil,do que aprender gramática e hebraico. Daí a razão de falarem tanta bobagem!